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quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

TRAUMAS DA ESCOLA


Já reparou que nossos maiores traumas e complexos começam na escola?
Quando somos pequenos (bem pequenos), antes da fase escolar, nos acostumamos a ser tratados carinhosamente pela família, somos chamados de “lindo pra cá, fofo pra la´”...Somos elogiados e ninguém fica ressaltando nossos defeitos e imperfeições.
Quando entramos na escola, começam a nos apelidar pelos nosso defeitos: A feia, a nariguda, a gorda, a vesga, a magrela, a sardenta, a “quatro olhos”, etc...
Não podemos ter um defeito visível que a criançada nos ataca com eles. E tem apelidos que irão nos acompanhar pelo resto da vida!
Não podemos ser tímidos, que pegam no pé.
Se somos pobres pegam no pé.
Se somos ricos pegam no pé.
Se somos negros, pardos, brancos ou amarelos também.
Não adianta, sempre acharão um defeito, mesmo aqueles que nem nós mesmos havíamos percebido.

Muitas dessas vezes chegamos em casa e choramos o resto do dia, pois todos riram de nós.
Outras vezes até queremos mudar de escola, não sair mais na rua.
As crianças não sabem diferenciar a brincadeira da ofensa. Não imaginam que uma simples piadinha pode nos traumatizar e trazer conseqüências pelo resto de nossas vidas. Não sabem que nem sempre devemos falar a verdade. A criança vê e fala. Pensa e fala, não analisa se é certo ou errado. E não é culpa delas. Só depois de uns anos irão aprender a distinguir o que é brincadeira e o que realmente magoa, e que tem coisas que é melhor guardarmos pra nós mesmos.

O problema é que nós quando crianças passamos a nos enxergar do modo que nos descrevem. Criamos um complexo de inferioridade.
Muitas dessas que foram chamadas de gordas na escola, mais tarde se transformarão em anoréxicas, ou serão obcecadas por regimes, ou ainda desenvolverão bulimia.
As que foram chamadas de narigudas passarão a vida toda com vergonha do próprio nariz ou farão uma plástica futuramente.

Na escola é que aprendemos que existem diferenças raciais, diferenças de classe social, por que meu pai tem um Fusca e o pai do Fulano tem uma BMW. Por que meu pai é pedreiro e o pai do Fulano é empresário. Por que eu passo as férias na casa da vovó e o Fulano passa as férias em Fernando de Noronha.

Não adianta, até hoje eu não conheço uma pessoa que não tem algum trauma da escola, não lembre de algum apelido que magoava ou de algum dia em que quis sumir da escola ou tornar-se invisível como num passe de mágica.
Eu passei por isso, você passou, nossos pais passaram e nossos filhos também passarão!
Hoje eu já não ligo, mas confesso que passei vários anos chateada pois riam do meu nome diferente... E até hoje me lembro do nome e do rosto de colegas que riam de mim. E sei que eles nem lembram, mas com certeza lembram dos que apelidavam eles.

A única coisa que posso tentar fazer é ensinar aos meus filhos a não julgar os outros pela aparência, mas acho impossível não ter que me deparar com a cena de um dia vê-los chorando porque riram do cabelo bagunçado deles, ou do aparelho nos dentes, e terei que consolá-los contando esta mesma história que conto pra vocês.
Se cada um de nós contasse essa história para os filhos, e os fizesse entender que não devemos fazer aos outros nada que não gostaríamos que fizessem pra gente, de repente mudaria em alguma coisa.
E lembre-se sempre: O exemplo vem de casa!

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