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quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

BULIMIA, A PIOR COMPANHIA


Sei que a internet está transbordando de notícias, comentários e matérias sobre este assunto, mas como convivi de perto com esta vilã, resolvi hoje escrever sobre ela, abordando de uma forma clara, com experiências reais, deixando um pouco de lado a linguagem médica.

Muitas pessoas pensam que esta doença se resume apenas em comer, vomitar e emagrecer.

Outras já enxergam como um desvio psicológico, ou problema com a auto-estima.

Outros vêem apenas como doença, que deve ser tratada como outra patologia qualquer.

Eu a vejo como se fosse uma amiga, daquelas em quem confiamos, achamos o máximo, que nos faz bem, nos ajuda, e tempo depois descobrimos que ela era nossa maior inimiga, que outros tentaram nos alertar, mas só enxergamos quando já era tarde demais, pois ela será nossa companheira por longos anos.

É como uma droga, no começo te deixa mais feliz, faz você sentir-se bem, mas só quando estamos viciados e no fundo do poço é que percebemos que é entrar nessa é fácil, sair é quase impossível.

Bulimia vicia? Isso mesmo. Além das drogas ilícitas, ela é um dos maiores vícios entre adolescentes, na maioria do sexo feminino e um pouco acima do peso.

Ela, além de afetar a saúde, afeta também o convívio social.

Começa assim mais ou menos assim: A menina está cansada de ser chamada de “gordinha”, de ser a colega “engraçada” mas nunca a “atraente”. Julga que não desperta muito interesse nos garotos...Tenta fazer dieta da lua, comer menos, comer apenas frutas e verduras, mas sempre acaba tendo um deslize: Um dia sente-se triste e solitária, resolve devorar um caixa de chocolates.

Então ela vê que desta forma nunca conseguirá ser magra como suas amigas ou como aquela atriz da televisão.

Em uma dessas recaídas, ela resolve, ao invés de trancar-se no quarto e chorar o dia inteiro por ter devorado aquela caixa de bombons, trancar-se no banheiro, colocar o dedo na “goela” e provocar vômito. Ela machuca-se um pouco, mas depois sente-se aliviada, mais leve. Passa então na farmácia, decide verificar o peso: Incrível, depois de fartar-se nas calorias, não engordou um grama sequer.

Passa alguns dias, ela resolver provocar vômito novamente. Ela começa perceber que pode comer tudo o que quiser, tudo que imaginar, e não irá engordar. Dalí um tempo ela passa a não vomitar somente os alimentos mais calóricos, e sim o café da manhã, o almoço, o jantar. Passa a comer cada vez mais, e emagrecer ou manter-se no peso.

A diferença entre a bulimia e a anorexia, é que a pessoa bulímica não emagrece exageradamente, a olhos vistos como na anorexia. Ela emagrece um pouco, depois passa a manter o peso.

A menina está feliz da vida, pode usar um “jeans” tamanho 36, colocar o corpo a mostra sem preocupar-se com a gordura que antes a atormentava.

Um belo dia ela vai almoçar na casa dos avós, e como é uma casa antiga, o banheiro fica junto a cozinha. Ela farta-se, mas não pensa nesse detalhe. Na hora de livrar-se do que a incomoda, ela então percebe que a família ainda está reunida na cozinha. Se ela for ao banheiro provocar vômito, as pessoas podem escutar. Ela fica apavorada pois seu corpo irá absorver todo o alimento ingerido, e ela irá engordar. Ela então começa evitar esse tipo de situação. Não participa mais de almoços em família, jantares com os amigos, nem sequer comer aquela pipoca assistindo a um filme com o namorado, para não correr o risco de não conseguir um lugar seguro para vomitar.

Geralmente quando ela não consegue vomitar a tempo de eliminar tudo o que comeu, ela parte para outra forma de bulimia: Os laxantes e diuréticos.

Começa a preocupar-se que os familiares descubram, então geralmente após as refeições ela decide tomar um banho (para a o som da água abafar o barulho do vômito), ou passa a ter a estranha mania de levar o aparelho de som para o banheiro.

Esta menina começa a tornar-se agressiva quando alguém decide demorar no banheiro depois das refeições, pois teme que o corpo faça a digestão, ou irrita-se quando alguém fica batendo na porta enquanto ela está lá.

Passa a ser uma pessoa extremamente nervosa, perde a paciência por motivos banais.

Algumas vezes você poderá presenciá-la comendo, por exemplo, um bolo inteiro sozinha. Mas ela nunca ganha peso.

Após um tempo, geralmente 1 ou 2 anos, ela começa a queixar-se de dores fortes no estômago. Aí começam os problemas físicos que a bulimia traz consigo.

Pode também sentir tonturas e até sofrer desmaios.

Os olhos podem apresentar manchas avermelhadas, pois o esforço para vomitar, depois de um tempo, começa a forçar demais os olhos e podem ocorrer pequenos derrames. Mais tarde esse esforço podem até causar descolamento de retina, o que causa cegueira irreversível.

Pode começar a ter muita falta de ar, dores no peito, tremores. Esses sintomas se apresentam quando a doença já afetou o coração, pois a falta de cálcio no organismo (pois ele é eliminado em todos os vômitos) causa sérios problemas cardíacos, como pode ocorrer uma parada cardiorespiratória, ou uma insuficiência cardíaca. A falta de cálcio no organismo pode ser notada também pelo aparecimento de cáries dentárias, dentes fracos, que podem até quebrar-se facilmente.

Há também o aparecimento de anemia, pela deficiência de ferro no organismo.

Várias pessoas chegam aos hospitais também com dificuldades na fala e deficiência motora, onde o corpo “entorta-se”, pois como todo alimento é literalmente jogado fora, o organismo começa a alimentar-se da massa muscular existente no corpo.

Esses são os problemas “menos sérios” causados pela bulimia. O mais sério, com certeza, é o óbito, não raro!

A pessoa começa a enxergar que tem um problema. Tenta parar, mas quando não provoca vômito começa a sofrer de indigestão ou até congestão estomacal. Outras sentem-se sujas, como se o alimento tivesse necessidade de sair do estômago logo após ingerido.

O que dificulta ainda mais a recuperação é que a maior parte dessas pessoas também tornam-se comedoras compulsivas.

As mulheres adultas perdem o interesse sexual, e muitas não conseguem engravidar. E, se conseguem, podem sofrer abortos espontâneos ou partos prematuros.

Sem falar nos problemas psicológicos, como ansiedade, isolamento, depressão, ataques de pânico, perda de interesse pela vida, podendo chegar a cometer suicídio.
Muitas conseguem parar sozinhas, mas não por muito tempo. Alguns meses, no máximo, pois quando notam que começaram a engordar, voltam novamente a vomitar.

A pessoa tem medo e vergonha de contar para alguém, pedir ajuda. Medo da repreensão, de ser julgada. Tem medo de curar-se e engordar novamente.

Se a pessoa doente não procurar ajuda, a bulimia a acompanhará pelo resto de suas vidas. Até hoje não conheço ninguém que tenha saído dessa sozinha.

Minha intenção não foi a de ser exagerada ou pessimista, mas sim de tentar abrir os olhos para uma doença muito mais séria e complexa do que se imagina.

Meu conselho às jovens que estão pensando em entrar nessa é que reflitam muito sobre este texto e sobre as sérias conseqüências que isso pode causar, afetando-a fisicamente, psicologicamente e socialmente.

Para as que já caíram nesta armadilha, procurem ajuda, com psicólogos, terapeutas, nutricionistas, grupos de ajuda e com os pais, antes que seja tarde demais.

ALERTA AOS PAIS:
Se você tem uma filha que reclama por se achar gordinha, que precisa emagrecer, ajude-a. Leve ao nutricionista, ajude com a dieta, evite preparar refeições calóricas. Ajude-a emagrecer, pois sem a sua ajuda, ela pode ser a próxima vítima deste “vício”.
Se sua filha tem ou você desconfia que ela pode estar sofrendo com esta doença, fique atenta aos sintomas que eu citei. Converse, sem criticar. Procure ajuda, mostre-se disposta, seja “mente aberta”. Não deixe passar despercebido, mas também não a trate como culpada, e sim como vítima.
Nunca faça como alguns pais e familiares que colocam apelidos pejorativos como “gorda”, “baleia”, “balofa”, mesmo que seja de brincadeira. Isso pode influenciar (e muito) a entrada dela nesta situação.

ONDE BUSCAR AJUDA:
Ambulim (Ambulatório de bulimia e Transtornos Alimentares do Hospital das Clínicas da USP) Informações: http://www.ambulim.org.br/

Ceppan (Clínica de Estudos e Pesquisas em Psicanálise da Anorexia e Bulimia) Endereço eletrônico:
http://www.redeceppan.com.br/

3 comentários:

Gisiane disse...

Noossa eu não sabiia que forçar o vomito variias vezes era tão serio assim, eu tava pensando em entrar nessa para emagreçer mais rapiido, mais não seei ainda, to vendo os conceitos

nathalia disse...

oie eu sofro com esse vicio tambem me sinto muito mau vendo roupas nas lojas e não poder comprar pois não tem uma que cabe em mim!
apelidos já tive muitos quero emagrecer mas com dietas não consigo
só com esse vicio que estou conseguindo emagrecer até por que minhas amigas todas são magras com corpos legais e me sinto excluida do grupo por causa disso não quero mais ser GORDAAAAAAAA!

Anônimo disse...

DIVULGA MINHA PÁG FALO SOBRE BULIMIA ... https://www.facebook.com/pages/Di%C3%A1rio-de-uma-Bul%C3%ADmica-/292001037568515


OBG!